Taxas futuras de juros fecham em alta com crise política

Os juros futuros fecharam a sessão em alta moderada, representando um ajuste ao movimento de queda da sessão anterior em função da piora do noticiário político na última terça-feira, 30, mesmo diante do câmbio bem comportado e da expectativa de queda da Selic na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira.

Entre os mais líquidos, apenas o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de vencimento imediato, para julho de 2017 (498.855 contratos), fechou em queda, a 10,265%, de 10,292% no ajuste de segunda-feira.

A taxa do DI janeiro de 2018 (196.685 contratos) subiu de 9,265% para 9,310%, e a do DI janeiro de 2019 (475.350 contratos) passou de 9,26% para 9,36%. Nos longos, a taxa do DI janeiro de 2021 (255.340 contratos) avançou de 10,35% para 10,42%.

“O estrangeiro voltou do feriado e viu que o cenário político vai demorar a se resolver”, afirmou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

“Nesse cenário de incertezas, o governo não deve conseguir aprovar a reforma da Previdência”, completou.

As taxas até chegaram a operar em queda depois da abertura, mas ainda pela manhã passaram a subir, na medida em que as notícias iam sugerindo que a manutenção do presidente Michel Temer pode ser pior do que se ele deixar o poder.

E uma possível saída parece estar distante, pois ele já disse que não vai renunciar e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dá sinais de que não deve aceitar nenhum dos vários pedidos de impeachment contra Temer.

A solução via TSE também parece agora mais remota. Há expectativa de haver pedido de vista no julgamento da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcado para o dia 6.

E, como o ex-ministro da Justiça Omar Serraglio, deputado pelo PMDB-PR licenciado, recusou a transferência para o Ministério da Transparência e deve reassumir ainda nesta terça seu mandato na vaga ocupada por seu suplente, o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), agora perde o foro privilegiado.

Em tal condição, o mercado vê risco de Loures fechar acordo de delação premiada e complicar ainda mais a crise.

Loures era homem de confiança de Temer e foi flagrado pela Polícia Federal recebendo uma mala de R$ 500 mil do executivo Ricardo Saud, que seria parte da propina supostamente em benefício do presidente.

Por fim, o mercado acusou ainda o adiamento da votação do relatório da reforma trabalhista, prevista para esta terça, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

A nova votação ficou para o dia 6, justamente a data do julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE.

Fonte: Estadão