‘Inflação do aluguel’ encerra o ano com a maior queda desde 2009

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou a alta para 0,89% em dezembro ante 0,52% em novembro, divulgou na última quinta-feira (28) a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado veio abaixo da mediana das estimativas de 0,92% calculada pelo Projeções Broadcast, mas dentro do intervalo de 0,72% a 1,05%. O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis. Com isso, o indicador fechou 2017 com queda de 0,52%, a maior desde 2009 (-1,72%). Esse resultado também ficou abaixo da mediana, de -0,50%, mas dentro do intervalo que ia de deflação 0,69% a de 0,36%. Em 12 meses finalizados em novembro, o IGP-M acumulara queda de 0,86%, enquanto em 2016 a variação foi positiva em 7,17%. Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o IPA-M saiu de 0,66% para 1,24%; o IPC subiu ligeiramente, de 0,28% para 0,30%, e o INCC desacelerou de 0,28% para 0,14%. A dificuldade de aprovar reformas estruturais, o desequilíbrio fiscal e as divisões político-partidárias foram as principais causas da alta de 0,8 ponto do Indicador de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-Br). O IIE-Br subiu de 112,8 para 113,6 pontos, puxado principalmente pelo componente mídia. O IIE-Br passou a integrar o calendário de divulgações de indicadores econômicos do Ibre/FGV no fim de 2016. O índice mensal é composto por três componentes: o IIE-Br Mídia, que faz o mapeamento nos principais jornais da frequência de notícias com menção à incerteza; o IIE-Br Expectativa, que é construído a partir das dispersões das previsões para a taxa de câmbio e para o IPCA; e o IIE-Br Mercado, baseado na volatilidade do mercado financeiro. O componente mídia registrou alta de 3,7 pontos no mês, contribuindo com 3,3 pontos para o comportamento do índice geral, informou a FGV. O IIE-Br mercado e o IIE-Br expectativa apresentaram comportamento inverso, registrando queda de 6,2 pontos e contribuição de -0,8 ponto para o componente mercado e queda de 6,8 pontos e contribuição de -1,7 ponto para a componente expectativa. “Terminamos o ano com o indicador de incerteza com 1 desvio-padrão acima da média histórica. Como já havíamos ressaltado anteriormente, as dificuldades para aprovar as reformas estruturantes, o desequilíbrio fiscal e as divisões político-partidárias parecem criar dificuldades para que a incerteza econômica volte para o seu nível histórico. Para 2018, fica difícil imaginar que o patamar do IIE-BR fique abaixo dos 110 pontos e, devido as eleições, espera-se que o indicador fique ainda mais volátil”, afirmou em nota o economista Pedro Costa Ferreira, do IBRE/FGV. Os preços dos produtos agropecuários no atacado subiram 0,83% em dezembro, após registrarem alta de 0,61% em novembro. Já os preços de produtos industriais avançaram de forma mais relevante, para 1,37% depois de terem registrado aumento de 0,68% no mês passado. Por etapas de produção, o preço das matérias-primas brutas foi o único que acelerou no período, saindo de deflação de 0,68% para um aumento relevante de 2,50%. Os Bens Finais tiveram um pequeno alívio de 0,50% em novembro para 0,48% em dezembro, enquanto os Bens Intermediários arrefeceram de 1,93% para 1,01%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) apresentou avanço de 1,24% em dezembro depois da alta de 0,66% no mês passado. No ano de 2017, o IPA acumulou recuo de 2,55% depois de mostrar deflação de 3,07% em 12 meses até novembro. (Estadão)

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