BRASIL PODE SE TORNAR LÍDER GLOBAL EM CONSERVAÇÃO MARINHA

O Mar do Brasil recebe neste início de 2018 um alento de esperança para se recuperar de décadas de degradação acelerada por impactos como sobre-pesca, poluição e até mineração dos fundos marinhos. Nos próximos dias, o governo federal realiza consultas públicas em Recife, Vitória e pela internet para avaliar a opinião dos brasileiros sobre duas propostas de criação de novas Áreas Marinhas Protegidas ao redor dos arquipélagos de São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz, as mais distantes ilhas oceânicas brasileiras e que são verdadeiros refúgios de vida marinha.
Se aprovadas, as propostas para criar no entorno das ilhas dois Monumentos Naturais (áreas reservadas a usos não-predatórios, como pesquisa, mergulho e Ecoturismo) cercados por Áreas de Proteção Ambiental (onde a pesca pode ser permitida desde que sujeita a critérios de sustentabilidade) farão com que a área do mar brasileiro protegida em Unidades de Conservação salte dos atuais 1,5% para cerca de 25%, ultrapassando as metas estabelecidas em tratados internacionais para a conservação
marinha e levando o Brasil a um seleto clube de países em desenvolvimento que protegem extensas áreas de suas águas, como Chile, México, Inglaterra e Estados Unidos.
Juntas, as áreas propostas abrangem, cerca de 900.000 Km2 e serviriam para proteger espécies raras e muito ameaçadas de extinção, como vários tubarões, tartarugas-marinhas, baleias e golfinhos que ocorrem no entorno de ambos os arquipélagos. Segundo o Presidente do Instituto Baleia Jubarte, Eduardo Camargo, “é muito importante que a maior extensão possível dessas novas Unidades de Conservação seja de Proteção Integral, contribuindo para afastar quaisquer usos predatórios do patrimônio natural e proporcionando condições não apenas para proteger espécies e ambientes muito ameaçados, mas também para recuperar os estoques pesqueiros oceânicos já muito reduzidos pela sobre-pesca.
         Proteger essas áreas é também garantir condições para o desenvolvimento sócio-econômico do mar brasileiro em condições de sustentabilidade”. Uma inovação da proposta ressaltada pelo Presidente do Instituto é a participação direta da Marinha na cogestão e fiscalização das novas áreas protegidas, o que segundo Camargo “reforça uma visão moderna da Força Naval como garantidora de nossa soberania ambiental”.
Diversas instituições ambientalistas brasileiras além do Instituto Baleia Jubarte, como a Fundação SOS Mata Atlântica, a Divers for Sharks – Mergulhadores pelos Tubarões, o Instituto BiomaBrasil, o Projeto Albatroz e o Instituto Augusto Carneiro, e empresas do trade turístico como a certificadora de Mergulho SDI TDI, se uniram em uma campanha para mobilizar a sociedade a favor da criação desses novos santuários marinhos. Aos interessados basta acessar a página http://redeprouc.org.br/campanhas/eahoradomar e enviar sua mensagem de apoio às autoridades federais.

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