Bonfim recebe maior festa de fé e sincretismo religioso da Bahia

Na última quinta-feira (11), pouco depois do meio dia, os fogos já anunciavam para os milhares de fiéis que estavam em frente à Basílica do Senhor do Bonfim a chegada da imagem, seguida da procissão. A partida foi na Igreja da Conceição, oito quilômetros distante dali. Baianos e turistas se uniram para aplaudir a imagem na maior festa religiosa da Bahia – a Lavagem do Bonfim.

                        (Foto: Bruno Concha)

As bênçãos foram dadas pelo reitor da Basílica, cônego Edson Menezes da Silva, que destacou a importância do combate à intolerância em todas as esferas. “Temos que difundir a solidariedade, a reconciliação e as relações interpessoais. Cada um pode contribuir e lutar por um mundo melhor, fazendo o bem”, destacou durante a missa.

Fitinhas do Bonfim

Uma das marcas da Lavagem é a cortina de fitinhas do Bonfim que se forma com cada uma que é amarrada pelos fiéis no gradil da igreja. Também conhecida como medida do Bonfim, as fitinhas medem 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim. A “medida” era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão e o acabamento feito em tinta dourada ou prateada.

Sincretismo religioso
Ao chegar o cortejo, as baianas seguem uma tradição milenar e lavam com água de cheiro o adro da Basílica. Um pouco mais à frente, pais de santo davam banhos de pipoca e de folhas nos fiéis em frente à escadaria da Basílica. Essa é a forma de quem é do Candomblé saudar e cultuar Oxalá, agradecendo e pedindo forças.

História
O culto ao Nosso Senhor do Bonfim começou em 1745, quando a imagem do santo foi trazida pelo capitão Português Teodósio Rodrigues de Farias cumprindo uma promessa que fez depois de ter sobrevivido a uma forte tempestade. As homenagens, no entanto, iniciaram de fato em 1754, ano em que a imagem foi transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a sua própria igreja, construída na Colina Sagrada.

Após mais de quatro horas de caminhada, o governador Rui Costa chegou pouco depois das 13h à Igreja do Senhor do Bonfim, onde tomou banho de cheiro oferecido pelas tradicionais baianas.

                      Foto: Manu Dias/GOVBA

Durante todo o trajeto, que teve início na Igreja da Conceição da Praia, Rui esteve acompanhado por populares, secretários estaduais e parlamentares. No caminho, o governador entrou na sede das Obras Sociais Irmã Dulce onde conversou com funcionários e pacientes.

“O Senhor do Bonfim, eu diria, tem uma simbologia grande. E mesmo aqueles que não são católicos identificam no Bonfim um momento de fé do povo, independente da religião de cada um. Simboliza muito o que é a Bahia, esse sincretismo, essa convivência entre as religiões diferentes”, comentou Rui.

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